A compostagem de resíduos orgânicos é uma estratégia central para enfrentar a crise climática e reduzir a contaminação do solo por plásticos e resíduos mal geridos. A poluição plástica deixou de ser um problema distante. Ela está no solo, na água, no ar — e, cada vez mais, nos alimentos. Estudos recentes indicam que a presença de microplásticos pode reduzir a fotossíntese de plantas em até 18%, comprometendo a produtividade agrícola e colocando em risco a segurança alimentar global. Não se trata apenas de oceanos e fauna marinha: estamos falando de solo fértil, clima e saúde humana. O alerta é científico, econômico e ético. E exige ação.

Aterro sanitário com grande volume de resíduos plásticos e orgânicos misturados, ilustrando os impactos da poluição plástica e da destinação inadequada de resíduos sólidos urbanos.

Foi nesse contexto — ainda em 2014, quando esse debate era muito menos visível — que surgiu a Oeko Bioplásticos. A empresa nasceu do inconformismo técnico e ambiental de João Carlos de Godoy Moreira, engenheiro de materiais formado pela UFSCar, com mais de 25 anos de atuação no desenvolvimento de plásticos de engenharia e biopolímeros. Ao observar a dependência estrutural do plástico de origem fóssil e seus impactos no pós-consumo, João Carlos fez uma escolha rara: empreender para mudar a lógica do material — não apenas o discurso.

O ciclo biológico da Oeko Bioplásticos

Desde o início, a Oeko se propôs a atuar onde a maior parte do plástico falha: no fim da vida útil. Seus produtos — especialmente os sacos compostáveis para a coleta de resíduos orgânicos — foram desenvolvidos para operar dentro do ciclo biológico da economia circular, retornando ao solo por compostagem termofílica ou biodigestão, sem gerar microplásticos ou resíduos tóxicos. Em condições de compostagem, a biodegradação ocorre naturalmente, em média, entre 15 e 30 dias, permitindo que o material acompanhe o próprio ciclo do resíduo orgânico.

Processo de compostagem termofílica com máquina revolvendo leira de resíduos orgânicos, etapa fundamental para a degradação biológica e mitigação das emissões de metano.

Compostagem, resíduos orgânicos e mitigação climática

Esse detalhe técnico faz toda a diferença. No Brasil, cerca de 50% dos resíduos sólidos urbanos são orgânicos e, quando destinados a aterros, geram metano (CH₄) — um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global aproximadamente 28 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂) em um horizonte de 100 anos. Separar corretamente esses resíduos e destiná-los à compostagem termofílica é uma das estratégias mais eficazes para a mitigação das mudanças climáticas. No entanto, isso só funciona se os materiais utilizados nesse processo forem, de fato, seguros para o solo e para os sistemas biológicos.

O risco do greenwashing na compostagem de resíduos orgânicos

É nesse ponto que a governança técnica da compostagem se torna crítica — e onde o greenwashing representa um risco sistêmico real. Nem tudo o que se apresenta como “biodegradável” ou “ecológico” se comporta adequadamente no solo. Materiais inadequados podem fragmentar-se em microplásticos, comprometer a qualidade do composto e inviabilizar cadeias inteiras de valorização de resíduos orgânicos. Revisões científicas recentes demonstram que compostos orgânicos e digestatos podem conter microplásticos provenientes da contaminação do resíduo de entrada ou da fragmentação de materiais plásticos convencionais durante o processo, o que representa risco à saúde do solo e à credibilidade dos sistemas de compostagem.

O papel da AB Compostagem na governança da compostagem de resíduos orgânicos

A consolidação de critérios técnicos, normas claras e linguagem comum para o setor foi justamente o que motivou a criação da AB Compostagem. A associação desempenha papel fundamental no fortalecimento da indústria da compostagem no Brasil, na articulação entre operadores, gestores públicos, academia e setor produtivo, e no enfrentamento direto ao greenwashing por meio da defesa de parâmetros técnicos, transparência e boas práticas operacionais.

A Oeko participou ativamente do processo de criação e fundação da AB Compostagem, contribuindo com conhecimento técnico, visão de cadeia e experiência prática acumulada no desenvolvimento de materiais compatíveis com o ciclo biológico. Essa atuação não foi pontual: a empresa segue lado a lado com a associação, apoiando iniciativas que visam estruturar o setor, qualificar o debate público e garantir que a compostagem avance como solução ambiental real — e não como retórica vazia.

Ao longo de mais de uma década, a Oeko se consolidou como referência nacional justamente por unir engenharia de materiais, evidência científica e educação ambiental. A empresa atua junto a gestores públicos, operadores de compostagem, empresas e consumidores para esclarecer critérios técnicos, normas e limites — como os estabelecidos pela ABNT NBR 15448 — traduzindo ciência em decisões práticas e responsáveis, em sintonia com o trabalho institucional desenvolvido pela AB Compostagem.

Compostáveis para quem composta

Nos seus quatro primeiros anos, a Oeko® atuou exclusivamente no segmento corporativo, comercializando diretamente os produtos que desenvolvia e produzia. Em 2018, com o lançamento do e-commerce, passou também a atender o público residencial, acompanhando o crescimento das iniciativas de coleta e compostagem de resíduos orgânicos no país. O atendimento direto ao consumidor foi uma decisão estratégica: garantir acesso à informação técnica qualificada, orientar escolhas conscientes e conectar geradores de resíduos a operadores de compostagem.

Esse posicionamento tornou-se ainda mais relevante diante da proliferação de produtos que se autodenominam sustentáveis, frequentemente importados e colocados no mercado sem transparência sobre composição, desempenho ambiental ou destino final. No caso das embalagens à base de papel e polpa de celulose — socialmente percebidas como “naturais” — o problema é estrutural. Para atender a requisitos funcionais como barreira à umidade e a óleos, esses materiais recebem coatings plásticos ou tratamentos químicos, muitas vezes à base de PFAS. Embora eficazes do ponto de vista funcional, essas soluções inviabilizam a reciclagem e a compostagem e introduzem contaminantes persistentes nos fluxos de resíduos orgânicos. Evidências científicas indicam que esses compostos não são eliminados nos processos de compostagem industrial, retornando ao solo por meio do fertilizante gerado.

Economia circular, PNRS e responsabilidade compartilhada

O conhecimento técnico transmitido por meio de palestras, treinamentos, reuniões e consultorias tornou-se um dos principais ativos da Oeko® — e também um dos mais demandados por organizações que buscam implantar ou aprimorar programas como o Aterro Zero. Conscientes desse papel e da importância de difundir informação de fontes idôneas, criamos o blog Valor Sustentável: um espaço dedicado à informação técnica, regulatória e científica para apoiar decisões responsáveis em uma economia que precisa, urgentemente, superar o greenwashing.

A mitigação da poluição plástica e dos impactos associados aos resíduos sólidos requer a adoção de modelos de gestão alinhados à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aos princípios da economia circular e às diretrizes de programas como Aterro Zero. Esses modelos pressupõem a segregação dos resíduos na origem em três frações — recicláveis, orgânicos e rejeitos — com controle de contaminação, rastreabilidade dos fluxos e destinação ambientalmente adequada, conforme a hierarquia dos resíduos. A efetividade do sistema depende da integração entre geradores, operadores e gestores públicos, do uso de critérios técnicos e normativos, da responsabilidade compartilhada e da adoção de materiais compatíveis com o ciclo biológico.

Recepção de resíduos orgânicos em unidade de compostagem utilizando saco compostável Oeko, demonstrando segregação na origem e aplicação prática da economia circular.

A mensagem é direta: o problema é grave, mas há soluções. Elas passam por escolhas baseadas em evidência científica, por instituições que estruturam regras e limites claros — como a AB Compostagem — e por empresas que assumem, desde a origem, a responsabilidade pelo impacto real de seus produtos.

Referências técnicas e científicas

ZHONG, H. et al. A global estimate of multi-ecosystem photosynthesis losses under microplastic pollution. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), 2025.

IPCC. Climate Change 2023: The Physical Science Basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report (AR6). Geneva: Intergovernmental Panel on Climate Change, 2023.

UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME (UNEP). Global Methane Assessment. Nairobi: UNEP, 2021.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15448: Plásticos biodegradáveis e compostáveis – Requisitos e métodos de ensaio. Rio de Janeiro: ABNT.

MOREIRA, João Carlos de Godoy; MATOS, Letícia. Impactos dos microplásticos e PFAS na compostagem e biodigestão de resíduos orgânicos. 2025.


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